Você sente medo e/ou insegurança ao falar inglês? Sabia que a estimativa feita por cientistas sociais é de que mais de 90% da nossa comunicação é não-verbal?

De grande fascínio, este é um tema que, apesar de fugir ao escopo da aprendizagem de idiomas, é de completa relevância ao mesmo tempo.

A forma como você se coloca e se apresenta diante das pessoas revela seu estado psicológico (esteja você falando no seu idioma ou em qualquer outro).

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A razão de este tema ser tão útil para quem está aprendendo um idioma (sobretudo para as mulheres) é que o ato de aprender a falar em outra língua, por algum motivo, tende a estar cercado por muito medo, insegurança e ansiedade.

A verdade é que, para muitos aprendizes, essas sensações, paralisantes, são o principal obstáculo no desenvolvimento da fluência oral.

Entretanto, essa é apenas a ponta do iceberg (a parte visível de um assunto que, na verdade, é mais complexo do que se imagina). Estudos recentes têm demonstrado que quando uma pessoa, conscientemente, melhora sua linguagem corporal, sua mente e jeito de portar-se em relação ao mundo são alterados.

Assim sendo, a tendência é que seus pensamentos, emoções e atitudes se reflitam na sua linguagem corporal e, por conseguinte, na ideia que outras pessoas fazem de você. Além disso, ao nos conscientizarmos de como posicionamos nossos corpos, mudamos radicalmente nosso modo de pensar e sentir.

Antes de analisarmos a aplicação destas informações à aprendizagem de línguas, gostaria de lhe convidar a assistir ao vídeo que me inspirou a escrever este artigo. “Your Body Language Shapes Who You Are” (Sua linguagem corporal molda quem você é) é o tema da palestra TED apresentada por Amy Cuddy, psicóloga social de Harvard.

Vídeo com legenda em outros idiomas

A linguagem corporal das pessoas confiantes

Como Cuddy explica no vídeo, uma postura firme e aberta (pose de poder) faz mais do que demonstrar confiança de maneira imediata pois, de fato, cria essa sensação no seu corpo e na sua mente. Essa informação se baseia em dados científicos que indicam uma correlação entre poses de poder e significantes mudanças neuroquímicas (aumento do nível de testosterona e decréscimo do de cortisol) associadas à confiança, firmeza e ousadia.

Em uma das experiências realizadas, foram selecionados dois grupos de alunos universitários. Foi pedido a um dos grupos que seus integrantes mantivessem, durante cinco minutos, poses de poder (braços abertos, presença física expandida); ao outro grupo, que adotassem poses ligadas à fraqueza (braços fechados, corpo curvado).

Em seguida, os dois grupos passaram por uma curta, mas rigorosa sessão de entrevistas feita por entrevistadores treinados que, posteriormente, apresentaram a filmagem delas aos recrutadores.

Os resultados foram surpreendentes: os recrutadores, que não possuíam informação alguma sobre o experimento, selecionaram por unanimidade os candidatos que adotaram poses de poder.

Quando perguntados sobre o critério de seleção, os recrutadores disseram que o que lhes levou a escolher esses candidatos não foi, precisamente, uma ótima qualificação ou mesmo as respostas dadas. Foi mais do que isso.

De acordo com Cuddy, os candidatos que adotaram poses imponentes passavam confiança, entusiasmo, paixão e autenticidade, diferentemente daqueles que mantiveram poses de fraqueza. Nenhuma dessas qualidades pode ser quantificada, mas elas tiveram um papel decisivo nas escolhas dos recrutadores.

Em outro estudo similar, os dados hormonais registrados dois minutos após o início da simulação de posturas nos dão uma ideia exata do porquê da importância da nossa linguagem corporal. As amostras de saliva do grupo que adotou uma postura expandida indicavam que o nível de testosterona (hormônio ligado à dominação, ao poder) havia aumentado em 20%. Por outro lado, as amostras de saliva do outro grupo apontavam para um decréscimo de 10% do nível de testosterona, e um aumento de 15% do nível de cortisol.

Este tema me faz lembrar de uma observação que eu havia feito há um tempo, sobre como alguns religiosos erguem seus braços em exaltação e louvor ao seu respectivo salvador. Não que eu queira fazer pouco caso ou criticar as crenças deles, mas não seria possível que parte dessa euforia, sentida no momento que os braços estão erguidos, fosse uma reação hormonal à postura erguida?

Mas o que tudo isso significa? Bem, em termos simples:

  • Boa postura (aberta, imponente): o alto nível de testosterona e o baixo nível de cortisol proporcionados pelas poses de poder estão relacionados à liderança, firmeza, confiança, otimismo, ousadia, e à habilidade de pensar de maneira abstrata.
  • Má postura (fechada, medrosa): a baixa testosterona e o alto cortisol proporcionados por poses ligadas à fraqueza estão relacionados à falta de poder, medo, estresse, e pouca inclinação à ousadia.

 

Como isso se aplica ao seu aprendizado de idiomas?

“Nossos corpos mudam nossas mentes, e nossas mentes mudam nosso comportamento, e nosso comportamento muda nossos destinos”

– Amy Cuddy

Sei que há muita informação aqui, mas a pesquisa indica que nossa postura corporal influencia não somente no modo como as pessoas nos enxergam, mas também nos nossos pensamentos e emoções. O impacto não é apenas significante, mas também imediato, e você pode, de fato, começar a mudar a partir de agora em apenas dois minutos.

Ao praticar e manter uma postura corporal firme e aberta, você mudará a composição hormonal do seu corpo, assim como suas sensações e o modo como você é visto por outras pessoas. Além disso, você se tornará mais assertivo, confiante, otimista e mais seguro para assumir riscos.

Esse recurso psicológico pode mudar completamente sua forma de se comunicar, principalmente naquelas situações de muita pressão que tendem a gerar medo, pessimismo e insegurança (ex: ao falar inglês). Na minha opinião, esses pensamentos e emoções são os piores responsáveis pela ansiedade gerada no processo de aprendizagem de um idioma.

Ao abrir sua postura e/ou fazer poses de poder e, além disso, fazer dessa prática consciente um verdadeiro hábito, você provocará uma série de alterações hormonais que vão reconfigurar sua estrutura mental, mudar como você é visto por si mesmo e pelos outros, e como você fala.

Finja até conseguir

Como a apresentação e relato de Cuddy demonstram, você não precisa ser a pessoa mais confiante ou competente na área ou empreitada que você esteja. Entretanto, se você começar a agir de acordo com o que deseja ser (com a devida postura e comportamento), seus pensamentos e emoções mudarão até que, finalmente, você se torne aquilo que está imitando.

Esse é o significado de “finja até conseguir”, perfeitamente assimilado pelas pessoas confiantes. Se você ainda não consegue falar inglês, simule, tente do melhor jeito que puder, abra sua postura, e não se dê por vencido. Mesmo que você não tenha palavras suficientes para se expressar, ou mesmo uma gramática perfeita, aja como se já fosse fluente, e você verá que sua presença comunicará muito mais do que suas palavras.

Cuddy recomenda um exercício simples, que consiste em manter as mãos erguidas acima da cabeça durante dois minutos. Ela recomenda que isso seja feito quando você estiver numa situação de muita pressão ou sendo avaliado, como numa entrevista de emprego, ou quando alguém está te julgando.

Após ler este artigo, faça esse exercício diante de um espelho, e use um relógio ou cronômetro para marcar o tempo de duração. Você sentirá uma mudança imediata nos seus hormônios e na sua confiança. Sei disso porque o vídeo de Cuddy me levou a praticar esse exercício de forma diária, como um ritual, e isso trouxe grandes mudanças para minha vida. Venho fazendo esse exercício há seis meses, pelas manhãs, o que tem feito uma diferença na minha confiança geral, na atenção à postura do meu corpo, e na minha produtividade matutina.

São somente dois minutos por dia, mas se você fizer isso durante 30 dias, você criará um hábito e uma grande ferramenta de confiança que mudará radicalmente o modo como você se sente. Você também desenvolverá um maior grau de atenção à sua comunicação não-verbal (e de outras pessoas). Se estiver interessado em saber mais sobre meu exercício básico com poses de poder, leia o último tópico. Além disso, você também terá a chance de assistir a um grande vídeo sobre como criar um novo hábito em 30 dias.

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  Meu ritual matutino

Diariamente, depois que termino de meditar (outra prática revolucionária), vou para a frente do espelho, ergo meus braços acima da cabeça, e assim fico por dois minutos, com uma “pose de campeão” (a exemplo da mulher na imagem à direita). Marco o tempo, me posiciono com as pernas levemente afastadas uma da outra, e me olho no espelho.

Enquanto mantenho os braços erguidos, outra coisa que faço (não relacionada à linguagem corporal, mas é algo que também me ajuda) é ler e me concentrar em frases inspiradoras que escrevi no espelho. Por exemplo, está escrito “Deserve Your Dream” (Mereça seu sonho), do poeta mexicano Octavio Paz, e “Be the change you wish to see in the world” (Seja a mudança que deseja ver no mundo), de Mahatma Gandhi. São mensagens muito fortes para mim, e ao olhá-las todos os dias, pouco a pouco vou incorporando-as à minha identidade.

Se isso for significante para você, te encorajo a fazer disso um hábito diário. Imediatamente, você se sentirá confiante em qualquer situação que esteja, inclusive na sua aprendizagem de idiomas. Sempre que precisamos melhorar algum aspecto da nossa vida, a parte que causa mais dificuldade e frustração nesse processo de melhora é a criação de um hábito. Depois de mais ou menos 30 dias, o hábito se torna praticamente automático.

Para que você faça pequenas, mas sustentáveis mudanças em sua vida, recomendo que assista a este fantástico vídeo protagonizado pelo autor de “The Power of Habit” (O Poder do Hábito), um livro (e vídeo) que me impactou profundamente. Você pode, também, assistir à esta marcante palestra TED sobre como criar um novo hábito em 30 dias. Obrigado pela leitura!

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  • Andressa Luar says:

    Muito bacana este artigo….já fui extremamente tímida e até hoje tenho resquícios dessa timidez que procuro combater dia a dia. E realmente nossa expressão corporal fala muitooooo

  • Miguel Dantas says:

    uau otimo artigo vou ver o video da amy